Não sou agilista

Atualizado: 9 de ago.

Desde o início da minha carreira eu nutro essa paixão por melhorar a forma como as equipes de trabalho funcionam. Isso veio de uma afinidade, que na verdade era uma necessidade, por organização pessoal. Essa vontade de organizar as coisas começou com apenas duas pessoas num departamento (na firma tem departamentos, né?) de web design e uma estrutura comum de folders na rede corporativa. Ela evoluiu para o estudo, customização e aplicação do PMBOK v2 em toda a TI da empresa e não parou mais.

Do PMBOK passei pro RUP, flertei com a Extreme Programming até conhecer o manifesto ágil. Aí vieram Scrum, DAD, SAFe, Kanban e mais recentemente design organizacional e autogestão. O ponto em comum de todas essas coisas não é a agilidade, independente de como a definimos, mas aquela vontade inicial de melhorar a forma como as equipes (e por que não, o mundo) funcionam. Isso tem vantagens e desvantagens.


Photo by Vladislav Babienko on Unsplash

A maior desvantagem é que é muito difícil vender o valor dessa visão desacoplada de frameworks ou de escolas de agilidade. É muito mais fácil inferir o valor de proposições do tipo "Sou adepto do Scrum" ou "Sou facilitadora de Management 3.0", e é muito mais fácil colocar isso num powerpoint bonito.

Mas eu acho isso limitante. Também acho que gera discussões e disputas irrelevantes onde se tenta provar que este ou aquele método ou abordagem é melhor. Já pensou se todo o tempo gasto em tentar provar que a abordagem X ou Y é melhor, fosse investido em entender o contexto do cliente?

A vantagem é que tendo diversas ferramentas na minha caixa, e não me proclamando evangelista deste ou daquele método, eu tenho a liberdade de usar as ferramentas mais adequadas para cada momento, cada problema e cada cliente.

Fundamentalismo metodológico só serve para ficar bonito na apresentação de vendas e para deixar os profissionais ansiosos por não terem mais esta ou aquela certificação no currículo.

Eu gostaria de ter mais trocas de experiências independentes de método ou framework, menos receitas de bolo cheias de falsas certezas e mais padrões de design intercambiáveis e adaptáveis. Quem topa?



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